domingo, 12 de dezembro de 2010

Buenos Aires para se flanar!

Ida para o Uruguay, na Colônia de Sacramento, aconselho a comprar a passagem antes, pela internet, aqui do Brasil, pois na hora o preço é muito mais caro.

Não deixe de ir no restaurante La Cabrera, em Palermo, muito bom. Chegue cedo, pois lota. A melhor pedida é o bife de churizo mal passado e os molhinhos de acompanhamento, pra ficar molhando a carne.

Calle Jose Cabrera 5099

Palermo

Não deixe de ir na feira de San Telmo, no domingo (acho que é só no domingo) e no estádio do Boca (visita o museu do boca e depois faz a visita guiada do estádio).
O bairro não é muito tranquilo. É melhor seguir a trilha dos turistas.


Leve sempre um monte de moedas, pois o ônibus só é pago com moedas. Vc paga o tanto referente ao trecho que vai andar.

Em San Telmo tem um Mercado Municipal (ou algo assim) nuns quarteirões um pouco antes da feira. Vale à pena dar uma olhada.

Não deixe de ir no Malba (museu de arte contemporânea). Muito bom!

Aproveite para comer sanduíches maravilhosos, que vcs montam na hora, nas casas de frios "Al Queso, Queso": http://www.alquesoqueso.com/
Não chamam muito a atenção. Fique atento. São casas que vendem frios e pãos e que têm coisas deliciosas. Vc escolhe o que quer e eles montam um sanduíche.

Na Recoleta tem uns restaurantes e bares muito bons e baratos. Fui almoçar duas vezes no Restaurante El Callao na Calle Callao, Av. 1290 - Ciudad de Buenos Aires Tel: 4814-1776. Tem uns barzinhos ótimos pra uma cervejinha e empanadas, perto do cemitério.
CUIDADO COM AS BOLSAS NOS BARES DA RECOLETA, DEIXE SEMPRE NO COLO, NUNCA APOIADAS NA CADEIRA.

A praça San Martin também é linda. Vale um passeio por ali, seguindo pela rua Alvear, que lembra muito a frança.

A rua Florida é ótima para compras de roupas e couro.

A avenida Corrientes também - tem ótimas livrarias e lojas de música. Não deixe de ir no El Ateneu (antigo teatro transformado em livraria). Ótimo!

Saudades de Buenos!!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Receitas da D. Marina

ENSOPADO DE PESCADA

- Lavar o peixe com limão (pode lavar no álcool pra tirar o cheiro 15', depois lava de novo)
- tomate em rodela
- cenoura em rodela (pedaço grande)
- chuchu
- repolho
- couve
- batata
- ovo
- pimentão
- cebola
- pimentinha verde
- cheiro-verde
- azeite
- 3 dentes de alho amassados
- 1/2 litro de água para 1kg de peixe, se quiser fazer pirão, comola mais três copos de água

Preparo:
Em uma panela, doura o alho e depois acrescenta todos os temperos para refogar. se quiser, pode colocar azeitona verde junto.
Em outra panela, cozinha a cenoura, chuchu, repolho, ovo, couve, com água e sal. 1º a cenoura e o chuchu (10-15'). 2º o repolho, a batata e a couve. Vai cozinhando e tirando os ingredientes da panela, pra não ficarem muito moles.
Acrescenta a água de fervura dos legumes e verduras ao refogado dos temperos. Quando começar a gerver, arruma o peixe dentro do caldo e as verduras e legumes em cima do peixe (com exceção do ovo). Tampa e fever uns 10'.
Dica: colocar sal no peixe, enquanto está na água com limão, e no tempero refogado.

- pode colocar leite de côco (pode fazer um cozido com leite de côco e menos água, quando arrumar tudo na panela, coloca o leite de côco)

Pirão:
- Tira um pouco do caldo (5 conchas) e mistura com farinha fina, pra fazer farofa (dica: molhar a farinha em um pouco de água da torneira antes de misturar com o caldo).
- Fogo baixo, vai pondo mais farinha e mexendo rápido pra não embolar.
Tem que ficar mole, mas coeso.
- Ferve uns 10', mexendo sempre, e está pronto.


PEIXE ASSADO (Ver-o-peso)


- Coloca o filé do peixe na água com sal e limão
- Cortar em rodelas finas: tomate, cebola, pimentão vermelho, cheiro-verde (coentro). Tempera com sal, azeite e um pouco de vinagre.
- Escorre o peixe e coloca ele numa forma coberta com papel alumínio (a parte brilhante pra dentro), com tamanho suficiente para fechar o papel alumínio por cima do peixe depois (fazer um envelope). Pré-aqueça o forno por 10' (fogo alto). Coloca todo o tempero em cima dos filés, fecha o papel alumínio. 20' de forno (fogo médio) e está pronto. (pode deixar mais uns minutos descoberto para dourar - 15' no fechado e 5' aberto)


LAZANHA DE BERINGELA E CARNE DE SOJA


- 3 ou 2 beringelas grandes cortadas em rodelas finas
- 10' na água e sal
- tira sem enxugar muito e coloca numa forma untada para ir ao forno por 20-30', para murchar (sem deixar secar demais). Arrumar uma rodela do lado da outra.
- soja hidratada (3 punhados) - Ferve a água, apaga o fogo, joga a soja e tampa (15'). Depois escorre a água e espreme a soja com a mão.
- tomate cortado
- pimentão
- alho
- pimentinha verde
- amassa e doura o alho
- refoga os temperos, pode colocar um pouco de shoyo
- joga a soja e acrescenta um pouco de sal. Coisa rápida, só pra misturar com o tempero e já joga o creme de leite (2 caixas) e um pouco de leite, se precisar para ficar com mais molho.
- Esfarela a ricota no prato e reserva.

Montagem:
molho/ beringela / ricota. Termina com creme e ricota.
Coloca no forno pra esquentar por 10'.


VATAPÁ

- Camarão seco (600-700 gr) - tira a cabeça e a casca (dica: comprar descascado)
- Coloca de molho na água para dessalgar (muda 3x a água durante a manhã)
- Azeite de dendê
- leite de côco
- Maizena
- Leite
- Corta os temperos (tomate, pimentão, pimentinha, cebola), bastante cheiro-verde)
- Dourar alho no dendê (50ml de dendê para uma panela de 3 litros)
- Joga todos os temperos e os camarões sem água, pra refogar
- Coloca duas caixas de leite
- Quando estiver quase fervendo, dissolva a maizena e, quando ferver, abaixa o fogo e mistura bem para não embolar. (dica: dissolva a maizena separadamente e depois acrescente).
- Quando der o ponto, cozinhe por 10', mexendo de vez em quando pra não grudar.
- Verifique o sal e está pronto.


ARROZ COM JAMBÚ

(essa, infelizmente, não é tão simples de fazer, pois não se acha jambú muito fácil fora da região norte...)

- Arroz integral. Cozinha só com sal (40') e escorre. Tem que ficar mole.
- Cozinha o Jambú sem a raíz e inteiro, só com sal (20'). Escorre.
- Corta o jambú cozido em pequenas tiras.
- óleo com alho para refogar o jambú e depois mistura o arroz no refogado. Está pronto.


DOCE DE CUPUAÇÚ

- Poupa 1kg descongelada
- 1kg de açúcar
- só mexer para não queimar (pode quimar um pouquinho)
- fogo baixo/médio, de vez em quando mexe
- quando desgrudar da panela, está pronto
- Pode cozinhar junto com a castanha-do-pará moída
- Se tiver muito azeso quando comerçar a ferver, desmancha mais açúcar e coloca junto

domingo, 12 de setembro de 2010

Orgia gastronômica com uma bela vista do Rio Guajará

Adoro Belém!
Já estive lá umas quatro vezes. A primeira foi em 2005, quando comecei minhas andanças pela amazônia brasileira.
Imagina chegar numa metrópole no meio da floresta! A gente vê do avião aquele monte de edifícios, cada vez mais altos e em maior número, na beira de um rio gigantesco.
A arquitetura é riquíssima. Nos bairros centrais existem prédios de todas as épocas da história do Brasil - desde a colônia até os mais modernos (de 40 andares, com sacada com churrasqueira e tudo o mais). Esses prédios novos e gigantescos surgem no meio de quarteirões repletos de casinhas e casebres.
A culinária é uma das melhores coisas que esse país já produziu. São tantos tipos de peixes e frutas deliciosos. Com muito tempero, ervas, castanhas, farinhas, sabores. Demais! É castanha do pará, com farinha de tapioca, filhote grelhado, suco de taperebá, açaí e bacuri, jambú, tucupi. Delírio gastronômico!
Dessa vez, conheci um restaurante excelente - o "Manjar das Garças" que fica no parque Mangal das Garças. Sai uns R$50,00 por pessoa, mas é sensacional. Tem um bifê livre com pratos deliciosos feitos com ingredientes da região e mais as sobremesas típicas.
Chegamos cedo, 12hs em ponto, pegamos o melhor lugar - uma mesinha na varanda, de frete pro rio. Em 15 minutos, fotografamos diversos tipos de embarcações.
Comemos um filhote grelhado com molho pesto de castanha do pará. Um suco de taperebá. Um doce de bacuri! Orgia gastronômica!
E tudo isso com uma bela vista do rio...


sábado, 31 de julho de 2010

Paris bela Paris!


Estive em Paris e entendi porque esta cidade é tão adorada, falada, invejada, conhecida... Adorei Paris!!!
Alugamos um apê na Praça du Monge, no quartier latin. Lugar sensacional. Embaixo da nossa casa tinha um pub "The Local" - o melhor!
Segundo meu tio Hélcio, Paris foi feita para flanar.
Fotos lindas no blog da Cris: http://cristinaludwig.tumblr.com/

Ah, que saudades de Paris!

Para quem conhece Paris e está com saudades e para quem não conhece e está buscando inspiração, aqui estão imagens aéreas incríveis: http://www.dailymotion.com/video/xe4nih_paris-vu-du-ciel-de-yann-arthus-ber_news#hp-sc-p-2

terça-feira, 20 de abril de 2010

el Sur, nuestro norte


"He dicho Escuela del Sur; porque en realidad, nuestro norte es el sur. No debe haber norte para nosotros, si nó por oposición a nuestro sur. Por eso ahora ponemos el mapa al revés, y entonces ya tenemos justa idea de nuestra posición, y no como quieren en el resto del mundo. La punta de América, desde ahora prolongándose señaça insistentemente el Sur, neustro norte."

Joaquim Torres García, 1935
Uruguaio

http://www.torresgarcia.org.uy/index_1.html

segunda-feira, 29 de março de 2010

Cabo Polônio: um lugar delirante!

Outro dia soube que um casal de amigos tinha ido pra Cabo Polônio (Uruguai) nas últimas férias. Me lembre de quando estive lá em 2009. Que lugar delirante!!! Cabo Polônio é uma praia que é reserva natural, onde vivem poucas pessoas (uma pequena comunidade) e só se chega de caminhão (turístico). No caminho, passamos por uma vegetação que mistura plantas tropicais, plantas de lugares áridos e de lugares frios, como pinheiros. Mas o chão é de areia, basicamente. A estradinha é cheia de altos e baixos e tem um cheiro delicioso de mata. Depois um tempo, não me lembro quanto, começamos a ver a praia. Uma praia extensa e deserta, apenas com umas vaquinhas pastando! Demais! Surreal! O caminhão entra na praia e segue pela areia, em direção à uma vila cheia de casas semelhantes.
Todas brancas com telhados coloridos, espalhadas por um gramado verde cheio de rochas. No meio dessa comunidade, existe um farol. Em frente ao farol, existe um rochedo onde ficam as focas. Elas gritam o tempo todo - parecem pessoas gritando quando estão descendo na montanha russa. É muito engraçado!!!





























Existem uns bares/restaurantes na beira da praia.
Uma das coisas mais legais foi ver uma casinha que fica de frente pro mar, que tem uma churrasqueira na varanda e se chama MACONDO! Que demais!





















Depois, fomos almoçar em um restaurante MARAVILHOSO! Com uma decoração muito eclética.
Não me lembro o nome do restaurante, mas a
entrada é uma grande boca:
Comemos uma moqueca de tubarão, foi a melhor muqueca que eu já comi na vida e acho muito difícil comer outra igual! O dono do restaurante já viajou por vários lugares do mundo, é uma pessoa muito interessante e generosa. Ficamos um tempão conversando com ele. Depois de comer essa moqueca, parecia que estávamos no filme "Festa de Babete", saímos delirando! Viajando! Super felizes! Nossa, foi um DELÍRIO COLETIVO!


























Quase que a gente não vai mais embora de Cabo Polônio. Dá vontade de ficar por lá, curtindo a vibe!
E a volta de caminhão, no começo da noite, também foi uma grande viagem.... parecia que estávamos saindo de um portal mágico.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A História Libertária de Cuba e os perigos da História Única


Nos últimos dias, conversando por e-mail com uma querida professora, percebi que as coisas que escrevi sobre Cuba, neste blog, correm o risco de favorecer aqueles que produzem uma história única para o país, com o intuito de desvalorizar a Revolução Cubana e a história libertária deste povo.
(para entender um pouco melhor o significado de história única: http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html)

Meus textos são fruto da impressão "ao vivo" do país no momento atual, mas não se pode desconsiderar a importância política e social, mais do que isso, a importância histórica da Revolução Cubana para o continente americano e todos os países pobres do mundo.
As dificuldades que o povo cubano enfrentam hoje resultam, em grande parte, da luta contra o imperialismo americano e dos sacrifícios impostos àqueles povos que tentam exercer o direito de criar e construir suas próprias histórias, seus próprios caminhos.
O povo cubano foi e é corajoso! Os líderes e homens da Revolução foram bravos e vencedores!
Minha professora tem toda razão quando diz que precisamos ser gratos ao povo cubano pela coragem de enfrentar o Império e pagar um preço altíssimo por isso.














Quatro conquistas da Revolução impressionam muito diante de toda a história de desigualdades e corrupção da América Latina:
1) Todos os cubanos são alfabetizados e freqüentam a escola;
2) Todos os cubanos têm direito à saúde e usufruem desse direito (os gastos per capita em saúde no país estão muito abaixo dos gastos no Brasil e nos países desenvolvidos e, no entanto, os índices de saúde dos cubanos são excelentes. O fato de serem todos alfabetizados e de que a atenção básica em saúde é realmente efetiva contribuem para isso)
3) O país fez uma verdadeira reforma agrária
4) Os índices de violência no país são baixíssimos e a polícia não é corrupta (segundo os cubanos nos disseram)

Neste momento, o povo cubano está entrando em contato com algumas desigualdades e contradições que nós, dos países capitalistas, conhecemos bem. Elas estão sendo geradas, sobretudo, por conta da forma como o turismo está sendo implantado no país e pelo acesso ao CUC, que insere a população numa lógica da escassez e da abundância. Ao mesmo tempo, eles convivem com a falta de acesso às informações não produzidas pelos órgãos oficiais. Essas três questões geraram muitas angústias em mim e em meus companheiros de viagem. Passamos 20 dias refletindos sobre tudo isso. No último dia, nos deparamos com um muro, onde estava pichado: "Si no sabes, no te metas". Essa foi a nossa frase de conclusão da viagem...

Espero que algumas das coisas que escrevi aqui neste blog possam servir não para aqueles que querem escrever uma história única e mal contada sobre Cuba, mas para aqueles que querem refletir, junto com os cubanos, sobre como continuar a construção da história dos valentes, como definiu minha professora.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Viva o povo cubano!

































O povo cubano é a grande riqueza de Cuba.

Além de educados e simpáticos, eles são muito amáveis e extremamente comunicativos!
O melhor jeito de conhecer o país é se hospedando na casa de um cubano. Nossa viagem durou 20 dias, percorremos 6 cidades (Havana, Baracoa, Santiago de Cuba, Tri
nidad, Santa Clara e Remédios) e demos uma esticadinha até Cayo de Santa María. Ficamos sempre em casas particulares.
A experiência não poderia ter sido melhor. Na maioria das casas, fomos super bem recebidos. Mesmo com pouco tempo de estadia, a hora da despedida era sempre difícil.
Nas casas, a gente pode ver mais de perto o cotidiano, os conteúdos da televisão (todos eles amam as novelas brasileiras), a saudade das famílias que têm parentes vivendo no exterior, o poder de consumo de quem trabalha com turismo ou recebe dinheiro dos parentes de fora, as histórias das diferentes fases da Revolução, o "jeitinho cubano" para sobreviver e o sabor da comida cubana.
Aliás, a melhor refeição é aquela preparada nas casas particulares. O cardápio, tanto nas casas como nos restaurantes, não varia muito: salada de repolho com tomate, carne de porco ou frango, camarão ou lagosta, mouros e cristianos (feijão com arroz) e banana frita. Para beber, um refrigerante ou uma Bucanero (excelente cerveja) e de sobremesa um sorvete e um delicioso café.




















Os cubanos são muito parecidos com os brasileiros - rostos, humor, gostos, crenças e simpatia. Eles adoram os brasileiros, sobretudo, o Rei Roberto Carlos! São fãs do Roberto. Gostam muito do Lula também. Consideram ele amigo de Cuba e um grande presidente, porque deu melhores condições de vida aos brasileiros.
As três grandes referências sobre o Brasil, são: as novelas, as mulheres e o Lula.

Uma coisa muito legal em Cuba é o fato de que o tempo inteiro tem um monte de gente nas ruas e você pode andar tranquilo, pois não há violência. Praticamente não existe o mercado das drogas e a polícia não é corrupta. Há desigualdades sociais, não em proporções como no Brasil, muito longe disso. Ninguém tem arma e dificilmente as pessoas brigam na rua. Além disso, eles têm um senso de coletividade que torna a vida menos agressiva e mais fácil. Eles sabem se comunicar uns com os outros e não vivem esse individualismo exacerbado, como nós vivemos. Para os brasileiros, viver num país sem violência, hoje, é inimaginável!
O máximo que pode acontecer é o turista cair no golpe
do charuto mais barato (e menos veradeiro)... ou do convite de graça para o Show de 50 anos do Buena Vista Social Club, ou do Pablo Milanez, e perder entre 5 e 10 CUCs (10 ou 20 reais) depois de pagar um morrito super valorizado, nada mais que isso. Todo dia éramos convidados para um desses shows. No primeiro dia, quase caímos no golpe. Depois disso, todo dia nossa resposta era sempre a mesma: "fomos ontem no show, foi o máximo!".





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Así se vive en Cuba




















Che alertou Fidel sobre a
necessidade de Cuba diversificar sua estrutura produtiva, o que não foi efetivado durante os anos mais gloriosos da Revolução. A conseqüência veio na década de 90, depois que o fim do bloco soviético expôs a fragilidade da economia de Cuba. Como nos relatou um economista cubano (que hoje aluga sua casa para turistas e nos hospedou), "o país foi dormir desenvolvido e acordou subdesenvolvido. Nos anos 90, os cubanos se deram conta de que não tinham garantia de todos os padrões (de consumo) do mundo desenvolvido como haviam imaginado até então". Restava ainda os padrões de proteção social - educação e saúde, que se tornaram símbolos da continuidade do sucesso da Revolução. Naquela década, os cubanos passaram muita fome e necessidade. Para se ter uma idéia, a população adulta emagreceu, em média, 4 kilos. Nesse período, a geração que hoje tem 30 anos estava entrando na adolescência e essa crise tornou-se uma referência forte para essas pessoas. É interessante notar que o Museu da Revolução, um dos mais importantes de Cuba, não traz nenhuma informação sobre esse período e a atualidade.
A saída encontrada pelo governo foi investir no turismo e exportar o que Cuba
tem de melhor, incluindo seus médicos.
Os atuais programas do Estado Cubano de ajuda médica, formação médica e de desenvolvimento de sistemas universais de saúde nos países da América Latina e África são exemplos bem sucedidos de parcerias com outros estados e de ganhos de investimentos para o país.
A estratégia do turismo está baseada em dois grandes atrativos internacionais: 1) a curiosidade sobre a Revolução, sobre como é a vida em um país comunista; 2) as belíssimas praias caribenhas e seus resorts. O turismo é para os estrangeiros e não para os cubanos. Aliás, eles mal conhecem seu próprio país, pois é muito caro e difícil viajar. Incluive, eles são proibidos de entrar em algumas das mais lindas praias do país. Há uma fiscalização policial na estrada que dá acesso ao Cayo de Santa María - considerada a praia mais linda de todas - para que nenhum cubano entre, com exceção daqueles que trabalham com turismo. Quem emprega esses trabalhadores é o Estado. Hoje, uma das funções mais concorridas é a de garçom, devido à facilidade de acesso ao CUC por meio das gorjetas. Os que têm QI (quem indique) têm maiores chances de serem contratados.











O grande problema do turismo é que não é feito para os cubanos, eles não compartilham
com os estrangeiros nem as belas praias, por que são proibidos (até financeiramente), e nem sempre os grandes símbolos da Revolução, porque estão desacreditados. Em Havana é nítida a descrença da população nos ganhos futuros da Revolução. Eles querem mudanças urgentes, estão cansados, desencantados. No interior nem tanto, ainda há um encantamento, sobretudo, em relação às figuras de Che e Camilo Cienfuegos. Ao mesmo tempo, as pessoas do interior tem crença de que o governo vai encontrar uma solução para implementar mudanças no país. De qualquer forma, todos concordam que mudanças são necessárias e urgentes.

Reflexões sobre Cuba





É difícil dizer em poucas palavras o que eu penso sobre Cuba. Durante a viagem, tentei entender como os cubanos vivem e trabalham. A economia do país é tão complexa que torna o cotidiano muito complicado. Existem duas moedas - o peso nacional e o covertível (CUC), que vale 25 vezes mais que a peso e .
Algumas pessoas não têm acesso ao CUC, que serve para compra de artigos de luxo, de conforto (como azeite) e, até mesmo, de necessidades básicas (como papel higiênico). É muito difícil imaginar como será o futuro da Ilha.Para mim, o maior problema é o fato de que os cubanos não podem discutir seu próprio futuro porque o governo não aceita palavras e pensamentos críticos. Entretanto, como afirmou uma querida professora cubana, "a crítica pode ser para fortalecer a revolução. A não-crítica é muito mais contra-revolucionária".