quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Así se vive en Cuba




















Che alertou Fidel sobre a
necessidade de Cuba diversificar sua estrutura produtiva, o que não foi efetivado durante os anos mais gloriosos da Revolução. A conseqüência veio na década de 90, depois que o fim do bloco soviético expôs a fragilidade da economia de Cuba. Como nos relatou um economista cubano (que hoje aluga sua casa para turistas e nos hospedou), "o país foi dormir desenvolvido e acordou subdesenvolvido. Nos anos 90, os cubanos se deram conta de que não tinham garantia de todos os padrões (de consumo) do mundo desenvolvido como haviam imaginado até então". Restava ainda os padrões de proteção social - educação e saúde, que se tornaram símbolos da continuidade do sucesso da Revolução. Naquela década, os cubanos passaram muita fome e necessidade. Para se ter uma idéia, a população adulta emagreceu, em média, 4 kilos. Nesse período, a geração que hoje tem 30 anos estava entrando na adolescência e essa crise tornou-se uma referência forte para essas pessoas. É interessante notar que o Museu da Revolução, um dos mais importantes de Cuba, não traz nenhuma informação sobre esse período e a atualidade.
A saída encontrada pelo governo foi investir no turismo e exportar o que Cuba
tem de melhor, incluindo seus médicos.
Os atuais programas do Estado Cubano de ajuda médica, formação médica e de desenvolvimento de sistemas universais de saúde nos países da América Latina e África são exemplos bem sucedidos de parcerias com outros estados e de ganhos de investimentos para o país.
A estratégia do turismo está baseada em dois grandes atrativos internacionais: 1) a curiosidade sobre a Revolução, sobre como é a vida em um país comunista; 2) as belíssimas praias caribenhas e seus resorts. O turismo é para os estrangeiros e não para os cubanos. Aliás, eles mal conhecem seu próprio país, pois é muito caro e difícil viajar. Incluive, eles são proibidos de entrar em algumas das mais lindas praias do país. Há uma fiscalização policial na estrada que dá acesso ao Cayo de Santa María - considerada a praia mais linda de todas - para que nenhum cubano entre, com exceção daqueles que trabalham com turismo. Quem emprega esses trabalhadores é o Estado. Hoje, uma das funções mais concorridas é a de garçom, devido à facilidade de acesso ao CUC por meio das gorjetas. Os que têm QI (quem indique) têm maiores chances de serem contratados.











O grande problema do turismo é que não é feito para os cubanos, eles não compartilham
com os estrangeiros nem as belas praias, por que são proibidos (até financeiramente), e nem sempre os grandes símbolos da Revolução, porque estão desacreditados. Em Havana é nítida a descrença da população nos ganhos futuros da Revolução. Eles querem mudanças urgentes, estão cansados, desencantados. No interior nem tanto, ainda há um encantamento, sobretudo, em relação às figuras de Che e Camilo Cienfuegos. Ao mesmo tempo, as pessoas do interior tem crença de que o governo vai encontrar uma solução para implementar mudanças no país. De qualquer forma, todos concordam que mudanças são necessárias e urgentes.

Um comentário:

  1. Fala Maris,

    Gosttei do blog. As fotos ficaram muito boas!

    Eu acho que o grande desafio de cuba vai ser "sair" da revolução e se inserir no mundo sem perder o que o país ganhou com ela (Educação, Saúde, baixa criminalidade?) A criminalidade é baixa mesmo?

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