
Nos últimos dias, conversando por e-mail com uma querida professora, percebi que as coisas que escrevi sobre Cuba, neste blog, correm o risco de favorecer aqueles que produzem uma história única para o país, com o intuito de desvalorizar a Revolução Cubana e a história libertária deste povo.
(para entender um pouco melhor o significado de história única: http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html)
Meus textos são fruto da impressão "ao vivo" do país no momento atual, mas não se pode desconsiderar a importância política e social, mais do que isso, a importância histórica da Revolução Cubana para o continente americano e todos os países pobres do mundo.
As dificuldades que o povo cubano enfrentam hoje resultam, em grande parte, da luta contra o imperialismo americano e dos sacrifícios impostos àqueles povos que tentam exercer o direito de criar e construir suas próprias histórias, seus próprios caminhos.
O povo cubano foi e é corajoso! Os líderes e homens da Revolução foram bravos e vencedores!
Minha professora tem toda razão quando diz que precisamos ser gratos ao povo cubano pela coragem de enfrentar o Império e pagar um preço altíssimo por isso.

Quatro conquistas da Revolução impressionam muito diante de toda a história de desigualdades e corrupção da América Latina:
1) Todos os cubanos são alfabetizados e freqüentam a escola;
2) Todos os cubanos têm direito à saúde e usufruem desse direito (os gastos per capita em saúde no país estão muito abaixo dos gastos no Brasil e nos países desenvolvidos e, no entanto, os índices de saúde dos cubanos são excelentes. O fato de serem todos alfabetizados e de que a atenção básica em saúde é realmente efetiva contribuem para isso)
3) O país fez uma verdadeira reforma agrária
4) Os índices de violência no país são baixíssimos e a polícia não é corrupta (segundo os cubanos nos disseram)

Neste momento, o povo cubano está entrando em contato com algumas desigualdades e contradições que nós, dos países capitalistas, conhecemos bem. Elas estão sendo geradas, sobretudo, por conta da forma como o turismo está sendo implantado no país e pelo acesso ao CUC, que insere a população numa lógica da escassez e da abundância. Ao mesmo tempo, eles convivem com a falta de acesso às informações não produzidas pelos órgãos oficiais. Essas três questões geraram muitas angústias em mim e em meus companheiros de viagem. Passamos 20 dias refletindos sobre tudo isso. No último dia, nos deparamos com um muro, onde estava pichado: "Si no sabes, no te metas". Essa foi a nossa frase de conclusão da viagem...
Espero que algumas das coisas que escrevi aqui neste blog possam servir não para aqueles que querem escrever uma história única e mal contada sobre Cuba, mas para aqueles que querem refletir, junto com os cubanos, sobre como continuar a construção da história dos valentes, como definiu minha professora.