segunda-feira, 29 de março de 2010

Cabo Polônio: um lugar delirante!

Outro dia soube que um casal de amigos tinha ido pra Cabo Polônio (Uruguai) nas últimas férias. Me lembre de quando estive lá em 2009. Que lugar delirante!!! Cabo Polônio é uma praia que é reserva natural, onde vivem poucas pessoas (uma pequena comunidade) e só se chega de caminhão (turístico). No caminho, passamos por uma vegetação que mistura plantas tropicais, plantas de lugares áridos e de lugares frios, como pinheiros. Mas o chão é de areia, basicamente. A estradinha é cheia de altos e baixos e tem um cheiro delicioso de mata. Depois um tempo, não me lembro quanto, começamos a ver a praia. Uma praia extensa e deserta, apenas com umas vaquinhas pastando! Demais! Surreal! O caminhão entra na praia e segue pela areia, em direção à uma vila cheia de casas semelhantes.
Todas brancas com telhados coloridos, espalhadas por um gramado verde cheio de rochas. No meio dessa comunidade, existe um farol. Em frente ao farol, existe um rochedo onde ficam as focas. Elas gritam o tempo todo - parecem pessoas gritando quando estão descendo na montanha russa. É muito engraçado!!!





























Existem uns bares/restaurantes na beira da praia.
Uma das coisas mais legais foi ver uma casinha que fica de frente pro mar, que tem uma churrasqueira na varanda e se chama MACONDO! Que demais!





















Depois, fomos almoçar em um restaurante MARAVILHOSO! Com uma decoração muito eclética.
Não me lembro o nome do restaurante, mas a
entrada é uma grande boca:
Comemos uma moqueca de tubarão, foi a melhor muqueca que eu já comi na vida e acho muito difícil comer outra igual! O dono do restaurante já viajou por vários lugares do mundo, é uma pessoa muito interessante e generosa. Ficamos um tempão conversando com ele. Depois de comer essa moqueca, parecia que estávamos no filme "Festa de Babete", saímos delirando! Viajando! Super felizes! Nossa, foi um DELÍRIO COLETIVO!


























Quase que a gente não vai mais embora de Cabo Polônio. Dá vontade de ficar por lá, curtindo a vibe!
E a volta de caminhão, no começo da noite, também foi uma grande viagem.... parecia que estávamos saindo de um portal mágico.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A História Libertária de Cuba e os perigos da História Única


Nos últimos dias, conversando por e-mail com uma querida professora, percebi que as coisas que escrevi sobre Cuba, neste blog, correm o risco de favorecer aqueles que produzem uma história única para o país, com o intuito de desvalorizar a Revolução Cubana e a história libertária deste povo.
(para entender um pouco melhor o significado de história única: http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html)

Meus textos são fruto da impressão "ao vivo" do país no momento atual, mas não se pode desconsiderar a importância política e social, mais do que isso, a importância histórica da Revolução Cubana para o continente americano e todos os países pobres do mundo.
As dificuldades que o povo cubano enfrentam hoje resultam, em grande parte, da luta contra o imperialismo americano e dos sacrifícios impostos àqueles povos que tentam exercer o direito de criar e construir suas próprias histórias, seus próprios caminhos.
O povo cubano foi e é corajoso! Os líderes e homens da Revolução foram bravos e vencedores!
Minha professora tem toda razão quando diz que precisamos ser gratos ao povo cubano pela coragem de enfrentar o Império e pagar um preço altíssimo por isso.














Quatro conquistas da Revolução impressionam muito diante de toda a história de desigualdades e corrupção da América Latina:
1) Todos os cubanos são alfabetizados e freqüentam a escola;
2) Todos os cubanos têm direito à saúde e usufruem desse direito (os gastos per capita em saúde no país estão muito abaixo dos gastos no Brasil e nos países desenvolvidos e, no entanto, os índices de saúde dos cubanos são excelentes. O fato de serem todos alfabetizados e de que a atenção básica em saúde é realmente efetiva contribuem para isso)
3) O país fez uma verdadeira reforma agrária
4) Os índices de violência no país são baixíssimos e a polícia não é corrupta (segundo os cubanos nos disseram)

Neste momento, o povo cubano está entrando em contato com algumas desigualdades e contradições que nós, dos países capitalistas, conhecemos bem. Elas estão sendo geradas, sobretudo, por conta da forma como o turismo está sendo implantado no país e pelo acesso ao CUC, que insere a população numa lógica da escassez e da abundância. Ao mesmo tempo, eles convivem com a falta de acesso às informações não produzidas pelos órgãos oficiais. Essas três questões geraram muitas angústias em mim e em meus companheiros de viagem. Passamos 20 dias refletindos sobre tudo isso. No último dia, nos deparamos com um muro, onde estava pichado: "Si no sabes, no te metas". Essa foi a nossa frase de conclusão da viagem...

Espero que algumas das coisas que escrevi aqui neste blog possam servir não para aqueles que querem escrever uma história única e mal contada sobre Cuba, mas para aqueles que querem refletir, junto com os cubanos, sobre como continuar a construção da história dos valentes, como definiu minha professora.