quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Viva o povo cubano!

































O povo cubano é a grande riqueza de Cuba.

Além de educados e simpáticos, eles são muito amáveis e extremamente comunicativos!
O melhor jeito de conhecer o país é se hospedando na casa de um cubano. Nossa viagem durou 20 dias, percorremos 6 cidades (Havana, Baracoa, Santiago de Cuba, Tri
nidad, Santa Clara e Remédios) e demos uma esticadinha até Cayo de Santa María. Ficamos sempre em casas particulares.
A experiência não poderia ter sido melhor. Na maioria das casas, fomos super bem recebidos. Mesmo com pouco tempo de estadia, a hora da despedida era sempre difícil.
Nas casas, a gente pode ver mais de perto o cotidiano, os conteúdos da televisão (todos eles amam as novelas brasileiras), a saudade das famílias que têm parentes vivendo no exterior, o poder de consumo de quem trabalha com turismo ou recebe dinheiro dos parentes de fora, as histórias das diferentes fases da Revolução, o "jeitinho cubano" para sobreviver e o sabor da comida cubana.
Aliás, a melhor refeição é aquela preparada nas casas particulares. O cardápio, tanto nas casas como nos restaurantes, não varia muito: salada de repolho com tomate, carne de porco ou frango, camarão ou lagosta, mouros e cristianos (feijão com arroz) e banana frita. Para beber, um refrigerante ou uma Bucanero (excelente cerveja) e de sobremesa um sorvete e um delicioso café.




















Os cubanos são muito parecidos com os brasileiros - rostos, humor, gostos, crenças e simpatia. Eles adoram os brasileiros, sobretudo, o Rei Roberto Carlos! São fãs do Roberto. Gostam muito do Lula também. Consideram ele amigo de Cuba e um grande presidente, porque deu melhores condições de vida aos brasileiros.
As três grandes referências sobre o Brasil, são: as novelas, as mulheres e o Lula.

Uma coisa muito legal em Cuba é o fato de que o tempo inteiro tem um monte de gente nas ruas e você pode andar tranquilo, pois não há violência. Praticamente não existe o mercado das drogas e a polícia não é corrupta. Há desigualdades sociais, não em proporções como no Brasil, muito longe disso. Ninguém tem arma e dificilmente as pessoas brigam na rua. Além disso, eles têm um senso de coletividade que torna a vida menos agressiva e mais fácil. Eles sabem se comunicar uns com os outros e não vivem esse individualismo exacerbado, como nós vivemos. Para os brasileiros, viver num país sem violência, hoje, é inimaginável!
O máximo que pode acontecer é o turista cair no golpe
do charuto mais barato (e menos veradeiro)... ou do convite de graça para o Show de 50 anos do Buena Vista Social Club, ou do Pablo Milanez, e perder entre 5 e 10 CUCs (10 ou 20 reais) depois de pagar um morrito super valorizado, nada mais que isso. Todo dia éramos convidados para um desses shows. No primeiro dia, quase caímos no golpe. Depois disso, todo dia nossa resposta era sempre a mesma: "fomos ontem no show, foi o máximo!".





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Así se vive en Cuba




















Che alertou Fidel sobre a
necessidade de Cuba diversificar sua estrutura produtiva, o que não foi efetivado durante os anos mais gloriosos da Revolução. A conseqüência veio na década de 90, depois que o fim do bloco soviético expôs a fragilidade da economia de Cuba. Como nos relatou um economista cubano (que hoje aluga sua casa para turistas e nos hospedou), "o país foi dormir desenvolvido e acordou subdesenvolvido. Nos anos 90, os cubanos se deram conta de que não tinham garantia de todos os padrões (de consumo) do mundo desenvolvido como haviam imaginado até então". Restava ainda os padrões de proteção social - educação e saúde, que se tornaram símbolos da continuidade do sucesso da Revolução. Naquela década, os cubanos passaram muita fome e necessidade. Para se ter uma idéia, a população adulta emagreceu, em média, 4 kilos. Nesse período, a geração que hoje tem 30 anos estava entrando na adolescência e essa crise tornou-se uma referência forte para essas pessoas. É interessante notar que o Museu da Revolução, um dos mais importantes de Cuba, não traz nenhuma informação sobre esse período e a atualidade.
A saída encontrada pelo governo foi investir no turismo e exportar o que Cuba
tem de melhor, incluindo seus médicos.
Os atuais programas do Estado Cubano de ajuda médica, formação médica e de desenvolvimento de sistemas universais de saúde nos países da América Latina e África são exemplos bem sucedidos de parcerias com outros estados e de ganhos de investimentos para o país.
A estratégia do turismo está baseada em dois grandes atrativos internacionais: 1) a curiosidade sobre a Revolução, sobre como é a vida em um país comunista; 2) as belíssimas praias caribenhas e seus resorts. O turismo é para os estrangeiros e não para os cubanos. Aliás, eles mal conhecem seu próprio país, pois é muito caro e difícil viajar. Incluive, eles são proibidos de entrar em algumas das mais lindas praias do país. Há uma fiscalização policial na estrada que dá acesso ao Cayo de Santa María - considerada a praia mais linda de todas - para que nenhum cubano entre, com exceção daqueles que trabalham com turismo. Quem emprega esses trabalhadores é o Estado. Hoje, uma das funções mais concorridas é a de garçom, devido à facilidade de acesso ao CUC por meio das gorjetas. Os que têm QI (quem indique) têm maiores chances de serem contratados.











O grande problema do turismo é que não é feito para os cubanos, eles não compartilham
com os estrangeiros nem as belas praias, por que são proibidos (até financeiramente), e nem sempre os grandes símbolos da Revolução, porque estão desacreditados. Em Havana é nítida a descrença da população nos ganhos futuros da Revolução. Eles querem mudanças urgentes, estão cansados, desencantados. No interior nem tanto, ainda há um encantamento, sobretudo, em relação às figuras de Che e Camilo Cienfuegos. Ao mesmo tempo, as pessoas do interior tem crença de que o governo vai encontrar uma solução para implementar mudanças no país. De qualquer forma, todos concordam que mudanças são necessárias e urgentes.

Reflexões sobre Cuba





É difícil dizer em poucas palavras o que eu penso sobre Cuba. Durante a viagem, tentei entender como os cubanos vivem e trabalham. A economia do país é tão complexa que torna o cotidiano muito complicado. Existem duas moedas - o peso nacional e o covertível (CUC), que vale 25 vezes mais que a peso e .
Algumas pessoas não têm acesso ao CUC, que serve para compra de artigos de luxo, de conforto (como azeite) e, até mesmo, de necessidades básicas (como papel higiênico). É muito difícil imaginar como será o futuro da Ilha.Para mim, o maior problema é o fato de que os cubanos não podem discutir seu próprio futuro porque o governo não aceita palavras e pensamentos críticos. Entretanto, como afirmou uma querida professora cubana, "a crítica pode ser para fortalecer a revolução. A não-crítica é muito mais contra-revolucionária".